Hoje sonhei com um pássaro. Era um pássaro afilto. Contorcera-se todo para passar pela frestade uma pequena janela a cima de mim. Desesperado ricocheteava em um quarto escuro onde eu me escondia. Se eu estava escondida, ele buscava esconder-se também.
Escondidos, ricocheteando em uma sala escura com apenas um faixo de luz, buscávamos saída. Compadeci-me com seu sofrimento, o sofrimento no escuro de um pássaro buscando luz. Com delicadeza e uma verdade ímpar, emiti sons com fins de acalmá-lo (carinhos sonoros). Não esperava -realmente não- mas ele se acalmou.Então o desespero que ruía no escuro veio se partir ao meu lado, brilhando num resquício de luz. Ao meu lado, aquele pássaro resolvera descansar. Surreal foi perceber que ele era feito de vidroe não se partiu. Era colorido como os vitrais de catedrais. Um brinquedo de montar, minha missão, meu deslumbre, meu reflexo talvez.