
Meus dias -graças a Deus- têm sido de mente quieta, de espinha ereta e de coração tranqüilo. Bate desespero, bate desconsolo, bate a dor, mas nada sobrepõe o gozo, nada substitui o riso na frente do espelho e o riso espelhado de quem encontro.
Sei do encanto que cada um que me olha nos olhos estabelece. Sei que essas horas na rua, que essas noites de som, que a cumplicidade dos que estão na platéia e dos que estão no palco fazem valer à pena. Sei que a madrugada sempre me embalou e continua me embalando. É de madrugada que minha mente aquieta, que meu coração se faz escutar e bate aveludado e percussivo : minha caixa preta.
"Eu seria a próxima. Apavorei-me. Ansiosa, trêmula e tensa subi. Com o riso solto em minha mente, palavras se embaralhando, optei por dizer o básico.
Ao final, aplausos, alguns assovios, comentários. As pessoa stentavam me fazer sentir à vontade. Foi bonito! A segunda, um parceiro, um batuque. Ele me ajuda, ele sorri, ele é forte e frágil, único. Fim!"
A noite se ontem foi linda. Foi de mente receptiva, sem conclusões (nem mesmo tentativas). Piano, violino, violões, violas, cajón, palma da mão, samba no pé, baião ...a noite foi deliciosa, foi cheia de sorrisos...
Meus pensamentos andam perdidos, sem finalização, sem centro, sem eixo...e isso não é uma reclamação.

2 comentários:
quando entro aqui e leio suas palavras, é como sentí-la.
Me faz lembrar a sua energia, sempre colorida e imensa :)
Saudade.
Beijos.
Obrigada pela sensibilidade e por dividir sua identidade com o que escrevi. E incrivelmente, o modo como você descreveu esses sentimentos intensos, complexos, serenos e inquietos (ao mesmo tempo) em um momento tão seu, tão "yourself", me causou a sensação de que as minhas madrugadas não são tão "myself" quanto pensei. Geralmente imagino que todos dormem enquanto minhas idéias vagam longe, sem ninguém pra notar. Isso é algo muito pessoal, eu sinto assim e talvez não conseguisse descrever do mesmo jeito.
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